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químicos

Branco delimita todo o meu espaço A minha angústia, o meu cansaço A clínica nunca me pareceu tão pesada Pergunto-me se a minha aparência de agora se assemelha ao tão mero nada A minha cabeça repousa no ombro da minha mãe ''Respira'', é uma palavra que dela advém E eu suspiro, encarando as pessoas e os seus problemas Sentadas, não sabendo que virão a transformar-se nas ilustrações dos meus mais novos poemas No consultório a minha pele é arrancada em retalho A médica procura uma resposta e exerce o seu trabalho A terapia é um privilégio, recebe quem a paga Então o que acontece àqueles cuja vida lhes saiu cara? Não querem descartá-los para a escuridão das ruas frias de outono Garantir-lhes veracidade quando admitirem que foram todos encaminhados ao abandono Deixando-lhes assim como última hipótese escutá-los e estender a mão Aceitar os químicos, as instruções e não propor uma outra solução … Eles estão a ajudar-me Mas também estão a afundar-me … Prometi que seria uma melho...

non opus est excitare

Acordo de manhã e leio o meu livro, abro as janelas e deslizo por entre os feixes de luz provenientes delas. Cantarolo uma harmonia que vem habitando a minha cabeça nos últimos tempos e cumprimento os meus vizinhos. O meu coração está leve e o tanto de amor que tenho para dar não se lhe encontra espaço suficiente. O mundo nunca fora tão belo. Acordo de manhã e bebo o meu café, abro as janelas e deslizo por entre o vento gélido que escapa sorrateiramente por elas. Coloco uma música ambiente e aceno para os meus vizinhos. O meu coração palpita levemente e o tanto de amor que tenho para dar não se lhe encontra conforto o suficiente. O mundo nunca fora tão curioso. Acordo de manhã e encaro o meu teto, abro as janelas e observo por entre o nevoeiro que por elas é transparecido. Sussurro uma canção de embalar e escondo-me dos meus vizinhos. O meu coração anseia levemente e o tanto de amor que tenho para dar não se lhe confia o suficiente. O mundo nunca fora tão limitador. Acordo de tarde e p...

da mesa de jantar

A brisa percorre o seu caminho por entre as frestas da persiana.  A janela está aberta, disposta à exposição das nuvens no céu diurno e os meus dedos delineiam a circunferência superior do copo vazio à medida que observo o ecrã bloqueado do meu telemóvel. É meio-dia, e a mesa de jantar nunca estivera tão solitária como agora. Encaro a garrafa a metade e recordo os motivos pelos quais me levaram a sentir este nó tão apertado na garganta. Pela manhã, havia acordado sozinho no quarto de hotel e ficara a aguardar pela tua presença em cima da confusão de lençóis, contudo, com o tempo passando lentamente,  nunca chegaste  a aparecer. Onde estavas? Não deixaste nenhuma mensagem e, por mais que a minha mente traiçoeira insista em verificar as notificações, eu sei que não me enviarás uma explicação. Mas tudo bem, eu compreendo. É assim que acabam por passar dias, semanas. É assim que acabo a ouvir sempre o ressoar da cadeira ao que a arrasto para me sentar à mesma...

perdão

Querido desastre, O crepúsculo marca presença no horizonte e, por mais que se tente evitar, um dilema surge na mente do espectador, cabendo a ele decidir se, perante o seu olhar, é algo banhado de tão grande beleza ou se é somente trágico. Bem, creio que agora o espectador seja a minha pessoa, assim como creio que tens noção da minha perspetiva. Tic Tac .  O som enfadonho do relógio ecoa pelo cômodo, onde as sombras prevalecem e os pedidos por socorro se desvanecem.  Apenas aquelas quatro paredes estavam familiarizadas com todas as folhas rasgadas e todo o café derramado em pleno auge da madrugada, com o semblante amedrontado e todo o pranto que provinha dele. D or.   Porque é que existia tanta dor? A vida plantou aquela consciência sã e colheu-a envolta de tanta mágoa. A que propósito?  Estava saturada de ser a vítima da própria exaustão, fugitiva da sua aflição. Sem escapatória, mais uma vez. Querido desastre,  O amanhecer nunca fora tão trágico. Observá-l...